STF – Morte de Teori Zavascki gera incerteza à Lava Jato

Avião que transportava Teori caiu no mar, próximo à costa de Paraty

Avião que transportava Teori caiu no mar, próximo à costa de Paraty

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, 68 anos, morreu nesta quinta-feira na queda do avião em que estava, em Paraty (RJ), colocando uma série de dúvidas sobre o futuro da Operação Lava Jato, da qual ele era o relator. Teori estava prestes a decidir pela homologação ou não da delação premiada da Odebrecht, principal empresa envolvida no escândalo.

A expectativa era de que cerca de 900 depoimentos de 77 executivos do conglomerado, muitos ricos em detalhes sobre pagamento de propina e caixa-2 a políticos de diversos partidos, fossem tornados públicos por ele nas próximas semanas. Esse cronograma agora fica em suspenso e deve atrasar.

O acidente ocorreu por volta das 13h30min, quando o avião bimotor King Air C-90, prefixo PR-SOM, da fabricante Beechcraft, caiu no mar, a cerca de 2 quilômetros do aeroporto de Paraty, para onde se destinava. Chovia moderadamente no local no momento.

A aeronave havia decolado às 13h01min do Campo de Marte, em São Paulo, com ao menos quatro passageiros. O bimotor, com capacidade para sete passageiros (incluindo o piloto), pertencia à empresa Emiliano Empreendimentos Participações Hoteleiras, dona do luxuoso hotel de mesmo nome em São Paulo.

A bordo estavam também o proprietário do hotel, Carlos Alberto Filgueiras, de quem Teori era amigo desde 2012, e o piloto Osmar Rodrigues, além de ao menos uma mulher, de identidade não informada.

Até o fechamento desta edição, os corpos não haviam sido resgatados pelas equipes de busca, e a lista final de vítimas não havia sido divulgada. Também não havia informações sobre existência de caixa-preta.

As circunstâncias da morte geraram reações de descrença com a possibilidade de que tenha sido um acidente, dando margem a teorias conspiratórias. Um dos principais investigadores da Lava Jato, o delegado federal Marcio Adriano Anselmo pediu a apuração da morte. "Esse ‘acidente’ deve ser investigado a fundo", disse. A PF abriu inquérito.

Velório deve ser em Porto Alegre; jurista atuou no Estado

O velório do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, deve ser realizado em Porto Alegre. Segundo assessores próximos da presidente do STF, Cármen Lúcia, a ministra informou que irá respeitar a vontade da família para que a cerimônia ocorra na capital gaúcha e não na sede do Supremo, em Brasília. Catarinense, Teori construiu sua carreira jurídica e tinha casa em Porto Alegre.

Teori Albino Zavascki era um ministro discreto, de perfil técnico, com sólida formação acadêmica, apaixonado por música clássica e torcedor do Grêmio, clube do qual foi conselheiro.

Foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela então presidente Dilma Rousseff (PT) em setembro de 2012, na vaga aberta com a aposentadoria de Cezar Peluso.

Na época, a escolha de Dilma foi interpretada como uma tentativa de blindar o Palácio do Planalto contra pressões de setores do PT que se movimentavam no meio do julgamento do mensalão para patrocinar um nome ligado à legenda.

De origem polonesa e italiana, Teori fez carreira no Rio Grande do Sul, onde se formou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e depois se tornou mestre e doutor em direito processual pela mesma instituição. Foi professor de direito processual na Faculdade de Direito da Ufrgs de 1987 a 2005.

Entre 1989 e 2003, integrou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede na cidade de Porto Alegre, onde foi presidente de 2001 a 2003. Em maio de 2003, tornou-se ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), indicado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Avesso aos holofotes, acreditava que a discrição fazia parte do ofício do juiz.

Em 2013, o ministro perdeu a mulher, Maria Helena Marques, que morreu aos 50 anos vítima de um câncer. Teori deixou três filhos: Alexandre, Liliana e Francisco.

ANDRÉ BARCINSKI/FOLHAPRESS/JC

Fonte : Jornal do Comércio

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