Chuva afeta área de soja na Argentina

As fortes chuvas que atingem a Argentina desde o início do ano levaram as cotações da soja em Chicago ao maior patamar em seis meses nesta semana. Ontem os papéis com vencimento em maio caíram 5,25 centavos, fechando a R$ 10,785 o bushel. Mas desde o início do mês, já subiram 74,5 centavos (ou 7,42%).

Pelo comportamento dos contratos, estima-se uma quebra de até 5 milhões de toneladas na safra do país, segundo a consultoria Zaner Group. A previsão inicial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) é de uma colheita de 57 milhões de toneladas na Argentina na safra 2016/17.

Glauco Monte, analista da FCStone, diz que ainda que a safra continue abundante, uma queda de 3 milhões a 4 milhões de toneladas poderia levar parte demanda que seria atendida pelos argentinos para a soja produzida nos EUA.

Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, as chuvas têm se concentrado na região central da Argentina, com impactos sobre Córdoba, Santa Fé, Chaco, Entre-Ríos, Pampa e oeste de Buenos Aires. Nos dois últimos casos, a bolsa informou que as chuvas excessivas são observadas desde o início da janela de semeadura, com áreas inteiras sem nenhum plantio.

Desde o último dia 12, a bolsa já reduziu em 400 mil hectares a área estimada para a cultura no país, avaliada em 19,2 milhões de hectares. Considerando a menor área e os efeitos da chuva sobre a soja que está no campo, estima-se que a produção ficaria entre 2 milhões e 5 milhões de toneladas abaixo das 56,8 milhões de toneladas da safra 2015/16. Segundo alguns analistas, esse volume poderia ser coberto pela safra recorde esperada no Brasil

Diante disso, as últimas semanas têm sido de volatilidade. "O mercado tem colocado um prêmio de risco nos preços, mas, se for observado que mesmo com as perdas o cenário está positivo, esses preços podem cair", avaliou Monte.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor

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