Agronegócios – Pré-custeio tira pressão de venda do produtor

Recursos do Banco do Brasil, anunciados ontem, serão utilizados para financiar o plantio da safra 2017/2018. Setores devem perder verbas para garantia do próximo Plano Safra, diz Michel Temer

Avanço da colheita deve gerar demanda para insumos de 2017/2018 Avanço da colheita deve gerar demanda para insumos de 2017/2018
Foto: Divulgação

São Paulo – O calendário da safra 2016/ 2017 foi antecipado e, com isso, R$ 12 bilhões para pré-custeio do próximo ciclo também chegaram mais cedo. A medida tira do produtor a pressão de venda imediata dos grãos para comprar insumos e permite negociações melhores.

"Por conta da antecipação no calendário, boa parte da soja já está sendo colhida e, em consequência, haverá demanda para insumos. A vinda do pré-custeio faz com que o agricultor não precise correr para vender a produção e siga o cronograma sem pressa para a temporada de 2017/2018", avalia o diretor de estratégia e novos negócios da consultoria Agroícone, André Nassar. O montante de recursos provenientes de captações próprias da poupança rural e dos depósitos à vista do Banco do Brasil foi anunciado ontem, em Ribeirão Preto (SP), e contou com a presença do presidente da República, Michel Temer.

O valor está disponível pelo Programa Nacional de Apoio aos Médios Produtores Rurais (Pronamp) com taxas de 8,5% ao ano, até o teto de R$ 780 mil. As demais faixas de agricultores acessam o crédito com encargos de 9,5% ao ano limitados a R$ 3 milhões, descontados os valores controlados já contratados no semestre anterior, informou o banco.

Nassar, que também é ex-secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, destaca que o Banco do Brasil tem consciência do atual cenário de demanda que motivaria a liberação adiantada. No ano passado, o montante era 20% inferior e foi disponibilizado em fevereiro. "Mas isso só é possível se o total aprovado pelo Plano Safra de 2016/2017 estiver com dinheiro sobrando para aplicar no ciclo seguinte. É uma estratégia da instituição financeira", explica.

Levantamento do Ministério, divulgado nesta semana, indica que o número de operações de crédito pelo Plano Safra caiu 13,5% no primeiro semestre desta temporada, em relação ao intervalo de julho a dezembro de 2015/2016. Se comparado ao desempenho da safra 2014/2015, a retração é de 29,7%. Para Nassar, esse movimento de baixa evidencia a restrição dos bancos na liberação de financiamentos.

Durante o lançamento do pré-custeio, ontem, o presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli, ressaltou que a carteira agropecuária da instituição representa 25% do total. Em um volume de R$ 736 bilhões, cerca de R$ 180 bilhões são oriundos do setor. Isso porque, "no agro, a inadimplência não atinge 1%, está em 0,96%", comentou.

Na semana passada, a Caixa Econômica Federal anunciou a liberação de R$ 6 bilhões para a linha de custeio antecipado para propostas de até R$ 500 mil referentes a 2017/2018. Na ocasião, o vice-presidente de Produtos de Varejo da Caixa, Fábio Lenza, informou por meio de nota que o objetivo é proporcionar ao agricultor a possibilidade de negociar os insumos ainda no primeiro semestre deste ano.

Próximo Plano Safra

Questionado sobre a disponibilidade de recursos para o Plano Safra 2017/2018 – programa do Ministério que libera créditos para custeio e investimento do setor agropecuário – o presidente Michel Temer disse a jornalistas que "alguns setores perderão verbas para prestigiar outros, como prestigiará o agronegócio".

A dúvida foi levantada pois está em vigor a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto dos Gastos Públicos, que limita o volume de recursos ofertados pelo governo.

No entanto, Temer classificou o agronegócio como "importantíssimo" para a sustentação da economia nacional , justificando a garantia de crédito para o setor.

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI

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