Frescatto melhora distribuição e dribla crise

Leo Pinheiro/Valor

Thiago de Luca, CEO da Frescatto, diz que plano é melhorar distribuição no Distrito Federal e chegar ao Norte do país

Thiago de Luca puxa a calculadora com a mão direita, multiplicou por sete e calcula que importa toda semana 285 toneladas de salmão do Chile. O peixe percorre quase 4 mil quilômetros de caminhão, são mais de seis dias de viagem até chegar a uma fábrica afastada do Centro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. De Luca é o chefe da Frescatto Company, uma das principais indústrias de pescado do país, que processa 28 mil toneladas de peixe por ano.

Como CEO da empresa fundada em 1944 pelo avô Carmelo, que saiu da Itália para o Brasil fugindo da guerra, o empresário precisou encontrar alternativas para deixar a crise de 2016 para trás e driblar a queda de quase 25% na receita do mercado no ano. A expectativa da empresa é fechar 2016 com receita de R$ 610 milhões, 15% acima do ano passado. Estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Pesca (Abipesca) é que o setor movimente R$ 4 bilhões por ano.

O avanço em 2016 ocorreu porque a Frescatto conseguiu abocanhar uma fatia de mercado nova, aproveitando o baixo consumo médio de peixe por pessoa do país. Em média, cada brasileiro come cerca de 11 quilos de peixe por ano. No mundo, esse número é de quase 20 quilos. O plano da Frescatto para reverter a crise é atacar em três frentes: melhorar a rede de distribuição no Distrito Federal, com investimento de R$ 5 milhões, e chegar ao Norte do país; entrar também na aquicultura; e abrir uma loja em São Paulo.

A marca inaugurou a primeira boutique na zona sul do Rio neste ano, mas que ainda não fechou no azul. A expectativa é que até o fim de 2016 a loja carioca aumente o faturamento para R$ 200 mil por mês e a partir daí comece a dar lucro – por enquanto, a receita mensal é de cerca de R$ 150 mil.

Apesar da crise do mercado, De Luca resolveu manter o investimento de R$ 25 milhões para duplicar a fábrica de Duque de Caxias. A caminho do frigorífico, que tem três câmaras com capacidade para armazenar quase 3 mil toneladas de pescado e cinco túneis de congelamento que chegam a menos 40 graus centígrados, De Luca cumprimenta alguns dos mais de mil funcionários que a Frescatto emprega e aponta para as máquinas novas. Pesagem e embalagem serão mais automatizados.

Todas as dezenas de caixas de salmão que chegam do Chile são abertas e inspecionadas na fábrica da Baixada, e essa capacidade de processamento, diz Thiago de Luca, é um dos diferenciais da Frescatto num mercado que sofre com alto grau de informalidade.

A companhia tem seis centros de distribuição no país: Rio, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Brasília e Pernambuco, além de uma fábrica em João Pessoa (PB) onde a Frescatto processa camarões. Através dessa rede a empresa, que também tem a marca Buona Pesca, voltada para a classe C e D, conseguiu alcançar a marca de 10 mil clientes, entre restaurantes e supermercados pelo país. "O desafio é melhorar esses centros de distribuição e criar novos pontos. Tenho vontade de fazer uma expansão para o Norte do país, onde ainda não temos nada", planeja.

A importação de peixe no Brasil está em queda desde 2015, quando recuou 22% em relação a 2014. E a tendência é de novo recuo. Até setembro de 2016 o país importou 259,4 mil toneladas de pescado, o equivalente a US$ 793 milhões. Em todo o ano passado, foram importadas 306, 2 mil toneladas ou US$ 1,1 bilhão segundo a Abipesca.

O cenário do quarto trimestre é positivo, aponta o vice-presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, que vê crescimento das vendas no fim de 2016. As vendas no varejo, segundo ele, apontam para alta de 18% em relação ao bimestre de outubro e novembro de 2015 e de 13%, no mesmo período, para as vendas aos restaurantes. Essa diferença ocorre porque os brasileiros estão deixando de comer fora, mas ainda compram peixe para consumo em casa.

Para 2017, Thiago de Luca garantiu apoio a uma paixão familiar. Apesar de não revelar o valor do patrocínio, a Frescatto renovou por mais um ano o acordo com o Fluminense. Será responsável também pela alimentação da categoria de base do time carioca, que tem um centro de treinamento a poucos quilômetros da fábrica de pescados, em Duque de Caxias.

Por Robson Sales | Do Rio

Fonte : Valor

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