Resolução nº 4.539, de 24/11/2016

Dispõe sobre princípios e política institucional de relacionamento com clientes e usuários de produtos e de serviços financeiros.

O Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, torna público que o Conselho Monetário Nacional, em sessão realizada em 24 de novembro de 2016, com base no art. 4º, inciso VIII, da referida Lei,

R E S O L V E U :

CAPÍTULO I

DO OBJETO E DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO

Art. 1º  Esta Resolução dispõe sobre princípios a serem observados no relacionamento com clientes e usuários e sobre a elaboração e implementação de política institucional de relacionamento com clientes e usuários de produtos e de serviços pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

§ 1º  O disposto nesta Resolução não se aplica às administradoras de consórcio e às instituições de pagamento, que devem seguir as normas editadas pelo Banco Central do Brasil no exercício de sua competência legal.

§ 2º  Para efeito desta Resolução, o relacionamento com clientes e usuários abrange as fases de pré-contratação, de contratação e de pós-contratação de produtos e de serviços.

CAPÍTULO II

DOS PRINCÍPIOS

Art. 2º  As instituições de que trata o art. 1º, no relacionamento com clientes e usuários de produtos e de serviços, devem conduzir suas atividades com observância de princípios de ética, responsabilidade, transparência e diligência, propiciando a convergência de interesses e a consolidação de imagem institucional de credibilidade, segurança e competência.

Art. 3º  A observância do disposto no art. 2º requer, entre outras, as seguintes providências:

I – promover cultura organizacional que incentive relacionamento cooperativo e equilibrado com clientes e usuários;

II – dispensar tratamento justo e equitativo a clientes e usuários; e

III – assegurar a conformidade e a legitimidade de produtos e de serviços.

Parágrafo único.  O tratamento justo e equitativo a clientes e usuários de que trata o inciso II do caput abrange, inclusive:

I – a prestação de informações a clientes e usuários de forma clara e precisa, a respeito de produtos e serviços;

II – o atendimento a demandas de clientes e usuários de forma tempestiva; e

III – a inexistência de barreiras, critérios ou procedimentos desarrazoados para a extinção da relação contratual relativa a produtos e serviços, bem como para a transferência de relacionamento para outra instituição, a pedido do cliente.

CAPÍTULO III

DA POLÍTICA INSTITUCIONAL DE RELACIONAMENTO COM CLIENTES E USUÁRIOS

Seção I

Da Elaboração e Implementação da Política Institucional de Relacionamento com Clientes e Usuários

Art. 4º  As instituições de que trata o art. 1º devem elaborar e implementar política institucional de relacionamento com clientes e usuários que consolide diretrizes, objetivos estratégicos e valores organizacionais, de forma a nortear a condução de suas atividades em conformidade com o disposto no art. 2º.

§ 1º  A política de que trata o caput deve:

I – ser aprovada pelo conselho de administração ou, na sua ausência, pela diretoria da instituição;

II – ser objeto de avaliação periódica;

III – definir papéis e responsabilidades no âmbito da instituição;

IV – ser compatível com a natureza da instituição e com o perfil de clientes e usuários, bem como com as demais políticas instituídas;

V – prever programa de treinamento de empregados e prestadores de serviços que desempenhem atividades afetas ao relacionamento com clientes e usuários;

VI – prever a disseminação interna de suas disposições; e

VII – ser formalizada em documento específico.

§ 2º  Admite-se que a política de que trata o caput seja unificada por:

I – conglomerado; ou

II – sistema cooperativo de crédito.

§ 3º  As instituições que não constituírem política própria em decorrência da faculdade prevista no § 2º devem formalizar a decisão em reunião do conselho de administração ou da diretoria.

§ 4º  O documento de que trata o inciso VII do § 1º deve ser mantido à disposição do Banco Central do Brasil.

Seção II

Do Gerenciamento da Política Institucional de Relacionamento com Clientes e Usuários

Art. 5º  As instituições devem assegurar a consistência de rotinas e de procedimentos operacionais afetos ao relacionamento com clientes e usuários, bem como sua adequação à política institucional de relacionamento de que trata o art. 4º, inclusive quanto aos seguintes aspectos:

I – concepção de produtos e de serviços;

II – oferta, recomendação, contratação ou distribuição de produtos ou serviços;

III – requisitos de segurança afetos a produtos e a serviços;

IV – cobrança de tarifas em decorrência da prestação de serviços;

V – divulgação e publicidade de produtos e de serviços;

VI – coleta, tratamento e manutenção de informações dos clientes em bases de dados;

VII – gestão do atendimento prestado a clientes e usuários, inclusive o registro e o tratamento de demandas;

VIII – mediação de conflitos;

IX – sistemática de cobrança em caso de inadimplemento de obrigações contratadas;

X – extinção da relação contratual relativa a produtos e serviços;

XI – liquidação antecipada de dívidas ou de obrigações;

XII – transferência de relacionamento para outra instituição, a pedido do cliente; e

XIII – eventuais sistemas de metas e incentivos ao desempenho de empregados e de terceiros que atuem em seu nome.

§ 1º  Com relação ao disposto nos incisos I e II do caput, e em observância ao art. 3º, parágrafo único, inciso I, as instituições devem estabelecer o perfil dos clientes que compõem o público-alvo para os produtos e serviços disponibilizados, considerando suas características e complexidade.

§ 2º  O perfil referido no § 1º deve incluir informações relevantes para cada produto ou serviço.

Art. 6º  Em relação à política institucional de relacionamento com clientes e usuários, as instituições de que trata o art. 1º devem instituir mecanismos de acompanhamento, de controle e de mitigação de riscos com vistas a assegurar:

I – a implementação das suas disposições;

II – o monitoramento do seu cumprimento, inclusive por meio de métricas e indicadores adequados;

III – a avaliação da sua efetividade; e

IV – a identificação e a correção de eventuais deficiências.

§ 1º  Os mecanismos de que trata o caput devem ser submetidos a testes periódicos pela auditoria interna, consistentes com os controles internos da instituição.

§ 2º  Os dados, os registros e as informações relativas aos mecanismos de controle, processos, testes e trilhas de auditoria devem ser mantidos à disposição do Banco Central do Brasil pelo prazo mínimo de cinco anos.

CAPÍTULO IV

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 7º  As instituições de que trata o art. 1º devem indicar diretor responsável pela observância do disposto nesta Resolução.

Art. 8º  Fica o Banco Central do Brasil autorizado a baixar as normas e a adotar as medidas julgadas necessárias à execução do disposto nesta Resolução.

Art. 9º  Esta Resolução entra em vigor 360 (trezentos e sessenta) dias após a data de sua publicação.

                     Ilan Goldfajn
                       Presidente do Banco Central do Brasil

Fonte : BCB

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