Instabilidade política dificulta novos negócios com o exterior na Agrishow

Crise brasileira faz compradores externos também esperarem por definições.
Câmbio flutuante e queda das commodities são vilões na hora da compra.

Com cenário econômico desfavorável, visitantes pesquisam preços antes de fechar negócios na Agrishow 2016 (Foto: Érico Andrade/G1)

Com cenário econômico desfavorável, visitantes pesquisam preços antes de fechar negócios na Agrishow 2016 (Foto: Érico Andrade/G1)

Os reflexos causados na economia pela instabilidade na política brasileira e o recuo no preço das commodities são os maiores vilões das fabricantes nacionais de máquinas agrícolas que tentam fechar negócios com o exterior durante a 23ª Agrishow, feira de tecnologia agrícola que termina nesta sexta-feira (29), em Ribeirão Preto (SP).

Apesar da desvalorização do real, o câmbio flutuante observado nos últimos meses, em meio ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, dificulta a exploração de novos mercados. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as vendas caíram 30% devido à instabilidade.

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"Tínhamos um dólar numa situação melhor em relação à exportação, mas por outro lado você tem uma instabilidade que faz com que você não repasse a cotação do dólar para o preço final, porque você não sabe se o dólar que você vai vender estará um pouco mais baixo ou não", diz o diretor executivo da Abimaq, Klaus Curt Müller.

De acordo com ele, tanto o comprador nacional quanto o internacional aguardam definições no cenário, principalmente político, para poder investir. "Existe uma demanda reprimida que você tem devido ao câmbio em relação à exportação e que todos os investidores têm em relação a investir neste momento, e ele fica parado, observando o que vai acontecer".

A situação negativa do mercado de máquinas agrícolas no exterior pode mudar a partir do segundo semestre, com a possibilidade de resolução dos problemas políticos no Brasil. "Tirada essa incógnita, seja ela qual for, se Temer, Dilma ou até mesmo novas eleições, haverá uma recuperação razoável", analisa Müller.

Compradores e vendedores travam negociações em estande da Agrishow 2016 (Foto: Érico Andrade/G1)

Compradores e vendedores travam negociações em estande da Agrishow 2016 (Foto: Érico Andrade/G1)

Commodities
A Jacto, empresa brasileira especializada em tratores e máquinas pulverizadoras, viu suas exportações caírem 40% no primeiro trimestre do ano, sob impacto do dólar instável, mas também do preço das commodities (produtos ‘in natura’), principalmente em países da América Latina, onde sempre atuou, como Argentina, Paraguai e Bolívia.

"Mesmo a gente com preços favoráveis frente às empresas estrageiras, em países que produzem milho e soja principalmente o mercado não está muito receptivo, e nós temos um volume de exportação menor que no ano passado", comenta o gerente de exportação da Jacto, José Emílio de Castro Filho.

Crise externa
Atuante em 76 países, a também brasileira Baldan encontra dificuldades no mercado externo, que já é o principal foco de trabalho da marca, segundo o gerente Aparecido Sidney Cândido. Entretanto, para ele, as dificuldades econômicas não são privilégio apenas do Brasil. "As crises lá fora também estão difíceis", diz.

A alternativa para lidar com a situação, segundo ele, é mudar a estratégia com o cliente. "Nós temos 10 ou 15 empresas brigando pelo mesmo negócio, por isso você tem que ser mais competitivo ainda. Estamos vistando os clientes constantemente, indo ao campo, para tentar alavancar as vendas".

Felipe TurioniDo G1 Ribeirão e Franca

Fonte ; Globo

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