Trouw Nutrition, ex-Nutreco, erguerá nova fábrica no país

Rebatizada como Trouw Nutrition, a multinacional holandesa Nutreco, uma das maiores empresas de nutrição animal do mundo, inicia em 2016 a construção de sua oitava fábrica no Brasil. A unidade, que vai consumir pelo menos R$ 40 milhões, será erguida no município de Arujá (SP), na região de Guarulhos.

O investimento faz parte da "consolidação" das aquisições de Fatec e BRNova, feitas fim do ano passado, conforme o presidente da Trouw no Brasil, Luciano Roppa. As duas companhias produzem núcleos e premixes (pré-mistura de minerais e vitaminas usadas na composição de rações), mas a BRNova não possui fábrica própria – a companhia possui uma planta alugada e também terceiriza parte da produção, disse.

A partir de 2017, a nova fábrica, que será construída no terreno onde a Fatec está sediada, deve entrar em operação. Com isso, a BRNova poderá cancelar o contrato de aluguel e abrir mão da produção terceirizada, segundo Roppa. O investimento também significará a expansão da capacidade. A fábrica será capaz de produzir 60 mil toneladas de produtos por ano, mais do que o dobro do volume produzido hoje (24 mil).

Mais forte no Brasil a partir de 2009, quando adquiriu 51% do capital da empresa de ração para bovinos e peixes Fri-Ribe, a Trouw deu um grande salto neste ano justamente por conta das aquisições de Fatec e BRNova. A expectativa é que a Trouw fature R$ 650 milhões em 2015, o que colocaria a companhia entre as três maiores empresas de nutrição animal no Brasil, afirmou Roppa. Em 2014, o Trouw faturou R$ 350 milhões no Brasil e US$ 19,7 bilhões globalmente. Desde o ano passado, a empresa é controlada pela SHV Holding, grupo familiar holandês dono da varejista Makro.

Em paralelo ao investimento na fábrica, a Trouw está revendo seu parque fabril. A empresa investiu cerca de R$ 10 milhões na modernização de equipamentos das fábricas de Pitangueiras (SP), Maracanaú (CE) e em Teresina, capital do Piauí.

De acordo com Roppa, os aportes elevaram a produtividade das fábricas, permitindo a desativação das plantas de Lavras (MG) e de Anápolis (GO), que produziam volumes menores. "Eram fábricas pequenas e não tinha sentido dentro do negócio", afirmou o executivo. Nesse processo, a companhia demitiu cerca de 20 trabalhadores – a empresa conta com 1,1 mil funcionários no Brasil.

Com essa reestruturação, a Trouw ficará com sete fábricas em operação (ver mapa). Ao todo, essas unidades têm capacidade para produzir 330 mil toneladas de produtos por ano. Em 2017, quando a fábrica de Arujá for inaugurada, a capacidade anual atingirá cerca de 365 mil toneladas.

Em meio as dificuldades da economia brasileira, Roppa ressaltou que a Trouw vem ganhando participação no mercado de ração. Graças às aquisições de Fatec e BRNova, a empresa hoje detém um terço das vendas de ração para aves poedeiras. "De cada três ovos, um tem produtos da Trouw", afirmou ele.

A companhia também é forte no segmento de aquicultura (produção de pescados em cativeiro). Conforme Roppa, Trouw é a segunda principal fornecedora de ração para camarão. De acordo com as estimativas do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), o consumo de rações na carcinicultura crescerá 5% no país em 2015, atingindo 90 mil toneladas. O mercado brasileiro de rações deve crescer 3,2% neste ano, para 67,1 milhões de toneladas, conforme o sindicato. "Nós vamos crescer mais de 10% em volume", afirmou Roppa.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Fonte : Valor

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