Consultório agrícola: alimentação de bovinos em períodos de seca

Há vários alternativas práticas e economicamente viáveis que podem contribuir para a saúde do gado

por João Mathias

Valter Campanato/ABr

Independente da intensidade e duração da estiagem, a alimentação suplementar é fundamental

Durante longos períodos de seca é necessário fornecer algum suplemento alimentar para bovinos?

Roberto Azevedo de Morais
Nova Mutum, MT

Independente da intensidade e da duração da época deseca nos campos, o fornecimento de alimentação suplementar para o gado é sempre importante. Por isso, o produtor deve estar constantemente preparado e munido de um planejamento alimentar, para que seu rebanho tenha condições de enfrentar os períodos sem chuva.
Em tempos de seca, o capim não cresce com o mesmo vigor que apresenta em condições climáticas mais adequadas e tem seu valor nutricional reduzido, prejudicando a quantidade e a qualidade da forragem das pastagens que servem de alimento para os animais. Se depender apenas do pasto para fazer as refeições durante o período seco, o gado terá perda de peso, queda na produção de leite e na taxa de fertilidade, além de maior predisposição a contrair doenças e correr risco de morte.
Assim, em época de chuva escassa, o uso de suplementação alimentar é essencial para manter o gado saudável. Cana-de-açúcar e ureia, capim-elefante, leguminosas forrageiras, diferimento de pastagens e silagem, são algumasalternativas práticas e economicamente viáveis para nutrir os animais enquanto o tempo seco permanecer.
O produtor também pode fazer uso racional de alimentos regionais, como subprodutos agroindustriais. Em geral, eles são de baixo custo e de fácil aquisição e transporte. Contudo, têm como limitações o desconhecimento de sua composição química e valor nutritivo, além de problemas de armazenamento, de conservação e de disponibilidade ao longo do ano.

Alternativas nutritivas

 Shutterstock

Misturada com ureia, a cana-de-açúcar auxilia na suplementação alimentar

Entre as opções que podem contribuir para atender às necessidades dos rebanhos no período seco estão:
• Cana-de-açúcar e ureia – destinada para o gado bovino, a mistura serve como fonte de energia e proteína. Para corrigir o baixo teor de proteína da cana, é indicada a adição de ureia, cujo uso na suplementação deve ocorrer somente nos níveis recomendados e com a adaptação dos animais.
• Capim-elefante – de fácil cultivo, elevada produção, bom valor nutritivo e resistente a pragas, o capim-elefante é a forrageira mais usada na formação de capineiras, as quais devem ser manejadas durante todo o ano, inclusive durante o período chuvoso. Caso contrário, o capim-elefante perde seu valor nutritivo tornando-se muito fibroso e com pouca proteína.
• Leguminosas – são forrageiras que asseguram um bom padrão alimentar para os animais, sobretudo em época de seca. Contêm muita proteína e são fáceis de ser digeridas, inclusive têm alta capacidade de fixação de nitrogênio da atmosfera, contribuindo para a melhoria da fertilidade do solo. Podem ser estabelecidas em consórcio com gramíneas ou formando “banco de proteína”, que será utilizado estrategicamente durante a estação de seca.
• Diferimento de pastagens – trata-se de alternativa para corrigir a defasagem da produção de forragem durante o ano. A utilização da pastagem é suspensa entre meados e o fim do período chuvoso, para favorecer o acúmulo de forragem e criar uma reserva para uso durante a época de seca, como “feno em pé”.
• Silagem – opção de armazenagem de forragem no período das águas, para os animais enfrentarem os meses de estiagem. Como o processo envolve mecanização total, é mais caro do que as demais alternativas citadas acima. O milho e o sorgo são indicados como melhores sugestões, devido à facilidade de cultivo, elevados rendimentos e qualidade da silagem produzida.
Consultores: Ana Karina Salman e Cláudio Townsend, pesquisadores da Embrapa Rondônia.

Forragem hidropônica de milho

Divulgação/EBDA

Em 15 dias, forragem hidropônica já pode ser colhida. Foto: Divulgação/EBDA

Técnica criada inicialmente como método de pesquisa por estudiosos alemães e, mais tarde, aperfeiçoada pelosEstados Unidos para o cultivo de hortaliças, a hidroponiatambém tem sido utilizada por aqui para produzir suplemento alimentar para animais como bovinos, caprinos e ovinos.
Desenvolvida na década de 90, a partir de experiências realizadas por instituições brasileiras de pesquisa, como o Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Norte (Emater/RN), a forragem hidropônica de milho tem boa aceitação pelos rebanhos de pecuaristas que já fazem uso dela. Ainda pouco difundido no país, o produto é mais uma opção de alimento para criações durante os meses de seca.
Fácil, rápida e barata, a produção do alimento pode ser realizada em qualquer parte do território nacional e época do ano. Em 15 dias de plantio, a forragem hidropônica de milho já pode ser colhida para abastecer os cochos das criações.
Com semeadura de 2 quilos de grãos em um espaço de apenas um metro quadrado, em duas ou três semanas podem ser colhidos 20 ou 30 quilos de forragem verde destinada para consumo animal. O preço do quilo do alimento chega a R$ 0,09, enquanto o do bagaço de cana atinge R$ 0,10 e o da torta de algodão, R$ 0,30.
Dada as vantagens da forragem feita do cultivo de milho hidropônico, o Sebrae da Paraíba tem estimulado pequenos criadores da região a adotar a solução para enfrentar a forte estiagem registrada no Nordeste.
Além de promover visita em propriedade que aplica a técnica, o Seabre disponibiliza a pecuaristas interessados um kit com o material necessário para iniciar a atividade. Para a produção da forragem hidropônica de milho são utilizados micro e macro ingredientes, como sulfato de magnésio, de cobre, de manganês, de zinco, ácido bórico, molibdênio, quelato de ferro, fosfato de amônia e nitrato de potássio.

Consultores: Emater/RN e Sebrae/PB.

Fonte: Globo Rural

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *