Fundos enxugam suas posições no mercado de soja em Chicago

Os fundos que investem nos mercados de commodities seguem enxugando suas posições no mercado futuro de soja. De acordo com o último relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), os investidores institucionais reduziram em 4,5%, a 207,8 mil contratos, seu volume líquido de compra na bolsa de Chicago na semana encerrada no último dia 22 – a terceira queda consecutiva e o menor estoque em sete semanas.

A redução decorreu tanto da liquidação de contratos de compra (instrumentos usados pelos investidores para apostar na alta dos preços) quanto da abertura de novos contratos de venda (com os quais os fundos tentam se antecipar a uma desvalorização).

Na semana encerrada em 1º de maio, os fundos bateram o recorde de compra em soja, com um saldo de quase 241 mil contratos – posição nove vezes maior do que a registrada no início do ano. O apetite dos compradores era justificado por um cenário que combinava uma quebra expressiva da safra na América do Sul, demanda aquecida pela China e estoques apertados nos Estados Unidos.

Contudo, o agravamento da crise na União Europeia e o ambiente de incertezas que tomou conta dos mercados financeiros detonaram uma onda de liquidações nas commodities. "Trata-se de um movimento generalizado em resposta à situação da Grécia. A ordem no mercado é: se há risco elevado, fique fora", afirma Steve Cachia, analista de commodities da Cerealpar.

As liquidações das últimas semanas foram ainda mais severas em outros mercados agrícolas. Desde o fim do mês de março, os fundos reduziram a menos da metade sua posição comprada em milho (de 274 mil para 114 mil contratos) e a quase um terço sua compra de açúcar (de 142,7 mil para 53,8 mil contratos).

No caso do café, os fundos inverteram sua aposta: no início do ano, mantinham uma posição comprada de 6,5 mil contratos; no último dia 22, ostentavam um saldo vendido de quase 12 mil contratos. Ou seja, a maior parte dos especuladores passou a acreditar na queda dos preços.

Nestes casos, os dissabores do mercado financeiro não são os únicos responsáveis pela liquidação. Os fundamentos de algumas commodities pioraram sensivelmente entre 2011 e 2012, com a recuperação da produção e a promessa de recomposição dos estoques globais. É a situação em que se encontram os mercados de café e açúcar.

No caso do milho, o mercado tem sido pressionado pela promessa de uma colheita recorde nos Estados Unidos na safra 2012/13 – a área plantada nesta temporada é a maior desde os anos 1930 e o clima, até o momento, tem beneficiado o desenvolvimento das lavouras.

Mesmo assim, os fundos ampliaram sua posição comprada em alguns desses mercados na semana encerrada no último dia 22, segundo a CFTC. No caso do milho, o saldo saltou de 89,77 mil para 114,8 mil contratos. O aumento, contudo, está longe de sinalizar uma reversão do pessimismo recente. "Trata-se de um fato pontual, de um ajuste de posição no meio do caminho. O mercado continua à espera de uma solução para a crise na Grécia", afirma Cachia.

Fonte: Valor |

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