Sisbi ainda gera dúvidas entre abatedouros

Adesão ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produto de Origem Animal permite vender a produção fora do Estado

ANA PAULA APRATO/ARQUIVO/JC
Moussalle explica que muito estabelecimentos desconhecem os investimentos que precisam fazer
Moussalle explica que muito estabelecimentos desconhecem os investimentos que precisam fazer

A adesão dos abatedouros gaúchos ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produto de Origem Animal (Sisbi) ainda levanta questionamentos entre os frigoríficos e empresas do ramo no Estado. O assunto será debatido hoje em palestra que o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Rio Grande do Sul (Sicadergs) realiza, às 15h45min, no centro de eventos do Virtuale Business Center (avenida Padre Cacique, 320) em Porto Alegre. Segundo a entidade, ainda existem muitas dúvidas sobre os procedimentos para ingressar no sistema nacional.

Desde setembro do ano passado os serviços de inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal administrados pelo governo do Estado tiveram a sua equivalência reconhecida para adesão ao Sisbi. Com essa medida, oficializada pelo Ministério da Agricultura (Mapa) e pela Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Cispoa), as agroindústrias e abatedouros gaúchos que já utilizam a estrutura de inspeção do governo estadual podem ser qualificados para comercializar sua produção para todo o País.

Antes da equivalência entre o Sisbi e a Cispoa, para que um abatedouro ou agroindústria obtivesse permissão para vender seus produtos para todo o País era necessário um convênio entre o Mapa e a prefeitura do município onde a empresa se localiza. “Mas isso exigia que as prefeituras adequassem seu sistema de inspeção, o que é muito difícil. Dessa forma, no caso dos bovinos, hoje só temos dois abatedouros com autorização para vender para fora do Rio Grande do Sul”, lembra o diretor-executivo do Sicadergs, Zilmar Moussalle.

No entanto, embora diversas empresas tenham demonstrado interesse no Sisbi-Poa, as dúvidas em relação aos custos e benefícios de utilizar o sistema ainda têm sido elevadas no setor. “Muitos estabelecimentos têm a inspeção da Secretaria da Agricultura, que só permite vendas dentro do Estado, mas não têm certeza se valeria a pena buscar o Sisbi, quais investimentos que teriam que fazer e se esses gastos seriam realmente compensados por um aumento de vendas”, explica Moussalle.

Segundo ele, atualmente cerca de 30 empresas associadas à entidade possuem autorização do Cispoa para comercializar seus produtos. No entanto, até o momento, apenas quatro manifestaram interesse em aderir ao Sisbi e expandir suas vendas para outros estados. Um dos motivos seria a falta de incentivo para comercializar carne fora do Rio Grande do Sul, uma vez que o Estado consome mais do que produz, tendo inclusive que trazer o produto de outras regiões para abastecer a demanda interna.

No entanto, a possibilidade de alcançar mercados não passa despercebida por algumas empresas. Uma delas é o frigorífico Callegaro, de Santo Ângelo, que até o próximo mês deverá receber uma auditoria do Sisbi para verificar sua adequação ao sistema. Segundo o diretor Paulo Renato Callegaro, a companhia, que abate até 5,5 mil cabeças de gado bovino por mês, vem investindo na expansão de sua capacidade de produção e armazenamento e na promoção de sua nova marca, a Campo Nobre, que aposta no uso de carnes especiais de animais da raça Angus. “Mas isso tem um público restrito, e para aumentar os lucros precisamos expandir e conquistar clientes em outros estados, por isso a importância em aderir ao Sisbi”, explica. Callegaro acredita que não serão necessárias muitas mudanças para alcançar a autorização federal. “Esperamos nos enquadrar dentro das condições que temos hoje, que são aprovadas pela Cispoa.”

De acordo com o veterinário Diego Facin, gestor do Sisbi na Cispoa e palestrante do encontro do Sicadergs, as empresas que já possuem a fiscalização estadual não teriam que fazer grandes investimentos para obterem a possibilidade de comercializar para fora do Estado. Uma das poucas mudanças que a equivalência demandou no sistema estadual, conforme Facin, é o cronograma de análise físico-química de produtos de produtos de origem animal, cuja frequência passou de semestral para trimestral. “Não é preciso fazer alterações. O sistema estadual tornou-se equivalente ao federal, e nossa legislação é suficiente. Eventualmente seria preciso corrigir alguns problemas específicos, mas nada que demande grandes mudanças”, aponta. A expectativa da Cispoa é de, até o final do primeiro semestre, ao menos cinco empresas gaúchas que utilizam a inspeção estadual já terem aderido ao Sisbi.

Fonte: Jornal do Comércio | Marcelo Beledeli

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